quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Crítica Musical [1]


Depois de algum tempo sem postar, pois estou na função das leituras para seleção do mestrado, vou tentando gradativamente retomar as atividades com um assunto no qual tenho bastante interesse.

Estou cada vez mais admirado ao ler os artigos e ouvir as reportagens de grande parte da crítica musical especializada (sem generalizar), que ingenuamente (ou propositalmente) rasga elogios aos álbuns de determinadas bandas do cenário nacional. Fato é que, normalmente essas bandas contratam os chamados “músicos de estúdio” (profissionais especializados em gravações e com excelente nível técnico) para executarem o trabalho de gravação de suas músicas. É como se um pintor famoso pagasse para que outro pintor (tecnicamente mais competente) realizasse os ajustes finais em sua tela. Ou ainda melhor, é como se esse pintor famoso fizesse apenas os rabiscos na tela e deixasse todo o restante do trabalho para o pintor contratado. A banda Titãs, por exemplo, utilizou os serviços desses músicos durante toda a sua trajetória. Somente agora no último álbum (Sacos Plásticos) foi que os Titãs entraram no estúdio e realmente gravaram suas composições. Em entrevista a uma emissora de televisão o cantor e instrumentista Paulo Miklos afirmou que o álbum Sacos Plásticos foi o primeiro integralmente gravado pela banda. Ironizando essa situação, Miklos ainda tentou descontrair com a seguinte afirmação: “nós sempre fomos muito ruins”.

Não quero entrar no mérito daquilo que é bom ou ruim enquanto manifestação artística e cultural. Gosto e ouço os Titãs e reconheço a importância da Banda no cenário musical brasileiro e latino-americano. Desejo apenas destacar que muitas vezes a crítica musical se excede em alguns aspectos que, na minha humilde opinião, são de extrema relevância.

É certo que ao contratar um músico para realizar a gravação de seu álbum, uma banda ou um artista assume a responsabilidade pelas possíveis críticas (construtivas e destrutivas) que por ventura o trabalho possa sofrer. Cabe lembrar ainda que o trabalho passa também pela mão de um produtor musical que emite seu parecer imperativo em cada uma das faixas musicais que compõem o álbum. Esse “mecenato” tem se mostrado necessário na medida em que inúmeras bandas e artistas que compõem o mercado cultural brasileiro se mostram cada vez mais dominados pela indústria cultural.

Tenho me perguntado com frequência: afinal, de quem é o trabalho? Da banda? De um determinado artista? Ou dos produtores e músicos de estúdio?

Certos críticos da nossa música vêm excluindo a atividade desses músicos de estúdio e perigosamente escrevendo sobre a história da música brasileira de modo equivocado. É o velho jogo da memória, no qual alguns são excluídos para que outros possam ser lembrados como figuras imponentes, mitos, lendas, referências ou coisas do gênero, sem nem mesmo, na grande maioria das vezes, terem o mínimo de competência para tanto.

Há alguns anos atrás a lógica da exclusão e da construção de mitos ou lendas da música brasileira poderia ser facilmente justificada, uma vez que, na época do long play, a crítica musical parecia trabalhar somente em prol do mercado fonográfico na lógica da vendagem de discos a curto, médio e longo prazo. Bandas ou artistas de sucesso que fossem bem lembrados pelo público, venderiam muitos discos, mesmo depois de encerrarem suas atividades. Isso sem mencionar a influencia desses artistas no vestuário das pessoas. Como sabemos, artistas consagrados sempre ditaram inúmeras tendências no vestuário de jovens e adultos.

Em fim, (sempre acabo me estendendo muito) acredito que hoje em dia, como há algumas décadas atrás, os críticos da nossa música continuam a sonegar, fazendo vista grossa, ao que realmente é concreto e inegavelmente constrói a sonoridade brasileira, logo, os milhares de músicos instrumentistas periféricos (anônimos ao grande público) que continuam "encaixotados", porém, espalhados por todo o nosso país, ainda que, muitos deles nunca sejam lembrados pela crítica musical. Particularmente, chamaria os críticos musicais contemporâneos de “tendenciosos entusiastas culturais”.

4 comentários:

  1. Macanudo esse teu post, meu bruxo. Continua com esse blog que tá ficando jóia!

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  2. BAH MANO VÉIO, NEM SABIA QUE ANDAVAS TE AVENTURANDO NO MUNDO VIRTUAL, HEHEHEHE.
    MUITO BOM TEUS POSTS, PARABÉNS, SEGUE ESSE CAMINHO QUE TA SHOW DE BOLA. ABRAÇÃO!!11

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  3. Pois é Rafa, quando tenho um tempinho escrevo um pouco!

    Obrigado e forte abraço!

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