segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sobre o 4° MUSIURG [2]

Infelizmente não consegui assistir os três dias do Festival Universitário MUSIURG. Exatamente no dia das apresentações musicais do gênero popular, estava tocando no jantar em comemoração aos 60 anos da Sociedade Amigos do Cassino – SAC. Acabei assistindo apenas as apresentações das canções do gênero tradicionalista gaúcho que ocorreram no dia 05/01.

Na ocasião os músicos apresentaram as canções: “Cruzar de Potro” de Thales Pedro Barthl e Edgar Martins – Pelotas; “Quem são esses homens” de Dilair José Monte das Neves – Rio Grande; “Rastro de História” de David Martins e Leandro Endres – Pelotas; “Sonidos de uma espera” de Elton Escobar Pires – Rio Grande; “Silhueta de dois Campeiros” de Alexandre Souza, Glauber Guerreiro e Tiago Oliveira – Rio Grande; “Última Tropa” de Mozer Ávila, Richard Pereira e Marcel Cardoso – Capão do Leão e “Farrapo” de Edison Suita – Rio Grande.

Nesse primeiro dia duas composições me chamaram a atenção. Com uma execução perfeita, uma letra muito bem articulada e uma interpretação musical coletiva a canção “Silhueta de dois campeiros” despontou como a minha favorita ao prêmio de primeiro lugar. Na minha lista de preferidas ainda estava a Polca “Farrapo” que em minha opinião ficou um pouco atrás da “Silhueta de dois campeiros” principalmente no critério da interpretação musical coletiva.

Durante as apresentações desse gênero, dois acontecimentos me chamaram a atenção. O primeiro deles é o fato da substituição do bumbo leguero, tão utilizado há algum tempo atrás pelas bandas deste gênero, pelo instrumento de origem afro-peruana popularmente conhecido como Cajón. Em apenas uma das sete canções o bumbo leguero foi usado. Já havia percebido que o Cajón vinha ganhando a preferência dos instrumentistas desse gênero, talvez por sua grande versatilidade e sonoridade análoga a da bateria, podendo ser tocado somente com as mãos ou ainda com vassourinhas – muito utilizada pelos músicos de Jazz. Outro fato que me chamou bastante a atenção foi a pouca troca de músicos entre uma apresentação e outra, ou seja, alguns músicos defenderam uma, duas, três, quatro canções de ambos os gêneros durante o Festival.

Comentei com meu primo que defendeu a canção “Silhueta de dois campeiros” que tinha achado curioso alguns músicos defenderem várias canções num mesmo festival, e ele foi enfático ao me dizer que há pouco interesse por parte dos músicos em tocar gêneros musicais como o Nativista e o Popular. Aumentaram então as minhas curiosidades! 

No dia 06/01, segundo dia de Festival as canções apresentadas foram: “Pedrinhas” de Gustavo S. Barbosa – Pelotas; “O Vento” de Luciana Pauli e Ricardo Cordeiro – POA; “Reviravoltas” de Fernanda Krüger Garcia – São Leopoldo; “Love Jan Project” de Fabrício Soares Porto – Rio Grande; “Assim nasce uma canção” de Veloir Antônio dos Santos – Rio Grande; “Tribal” de Felipe Rechia Andrada – Rio Grande e “No mundo encantado a vergonha sumiu” de Kleber Bastos – Rio Grande. Como não pude comparecer ao segundo dia do Festival, fui ao Cassino no dia 07/01 sabendo que assistiria somente as três canções classificadas de cada um dos dois gêneros musicais.

As seis finalistas – três de cada gênero – foram apresentadas intercaladamente. Em mais uma apresentação perfeita a canção “Silhueta de dois campeiros” assegurou o primeiro lugar, seguida das canções “Sonidos de uma espera” e “Farrapo”, respectivamente segundo e terceiro lugar.

No popular, novamente duas canções me chamaram a atenção. Como minha favorita a canção “O vento” que também acabou recebendo o primeiro lugar, foi muito bem interpretada por Luciana Pauli. Também gostei muito do samba “No mundo encantado a vergonha sumiu”, uma composição engajada que expunha os escândalos envolvendo a corrupção dos políticos brasileiros, que acabou ficando com o terceiro lugar. E com uma pegada semelhante a das bandas Los Hermanos e Móveis Coloniais de Acaju a canção “Pedrinhas” acabou arrematando o segundo lugar.

Depois de 21 anos desde sua última realização o MUSIURG foi novamente idealizado com a mesma proposta, contemplando os mesmos dois gêneros musicais. Assim que o Festival chegou ao fim, comecei a refletir sobre sua revitalização, motivado principalmente sobre os comentários do meu primo sobre a falta de interesse dos músicos diante dos gêneros Tradicionalista e Popular. No dia 21 de dezembro de 2009, aqui mesmo no blog, escrevi sobre a revitalização dos MUSIURG, mencionando a abrangência dos Festivais Seiva da Terra que são realizados no decorrer da Feira de Artesanato de Rio Grande – FEARG – e conta com a participação de inúmeros músicos, exatamente por conta da pluralidade de gêneros que abarca. Não quero desmerecer o excelente trabalho desenvolvido pelo Núcleo Artístico e Cultural da FURG. Com a revitalização do MUSIURG, que foi um grande sucesso de público, Rio Grande conta com dois festivais de música por ano, um a cada semestre! Porém, acredito que muita coisa mudou em 21 anos. É preciso reciclar o MUSIURG, para que ele não corra o risco de ficar novamente um longo tempo inativo.

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