Hoje a tarde, acabei me deparando com um pequeno artigo, em um jornal, de um professor de música que me fez pensar novamente em uma questão que para mim já estava enterrada. Nesse texto, na verdade um manifesto mais do que legítimo de um indivíduo que milita por uma causa extremamente importante e que diz respeito a lei que obriga as escolas a oferecerem educação musical como uma disciplina única e independente no currículo de seus alunos, o professor fez referência aquilo que ele decidiu chamar de "música boa" e "música depravada".
Citando Platão e com ênfase em uma educação musical contemporânea e crítica, principalmente com aquilo que as mídias veiculam, o professor descreve que a verdadeira educação musical deve primar pela moral, pela ética e pelo discernimento daquilo que é bom ou não do ponto de vista musical. Já no final do seu artigo, ele descreve música como arte, cultura, ciência, e vai além, também descrevendo a música como vida e sentimento.
Daí o questionamento que para mim já estava encerrado! Pode a música enquanto arte ser medida por "boa" ou "ruim"? A arte musical em sí não seria a verdadeira depravação dos sentidos ou dos tais sentimentos musicais? Será que o professor se deu conta de que essa tal "música depravada" ou "música ruim" também é parte daquilo que ele supostamente entende por cultura? Ou não?
Acredito que todos esses pontos são intrínsecos. Ao entender que existe música de "boa" e de "má" qualidade, obrigatoriamente entende-se que existem culturas de "boa" e "má" qualidade, pois a produção musical é, e sempre será uma manifestação cultural e artística que se desenvolve e se dissemina através dos mais distintos movimentos sociais. É só saber o mínimo de história da música e observar os exemplos do jazz, do blues, do rock e do samba, gêneros marginalizados que ao longo do tempo ganharam projeção e hoje são consumidos pelas "elites culturais", continuam influenciando outros tantos gêneros musicais. A cultura não é um campo estático como muitos pensam!
Senso crítico não é desprezar e rotular de "bom" ou "ruim" qualquer forma de produção musical, que pertença ou não ao mercado cultural. Desse jeito, as questões morais e éticas ficam cada vez mais distantes do diálogo, entendimento e convivência. Quem perde somos todos nós, pois por não exercitar o senso crítico através da diversidade, segmentando e excluindo aprendemos apenas a realizar juizo de valores que nos tornam pessoas preconceituosas.


puxa pensamento muito bacana o seu. Na verdade, como educadores, pensamos muito na questão do cuidado e da banalização do corpo entre outras coisas. Acredito que isso nos deixa mais distantes da cultura que se forma a nossa frente, do novo circulo cultural que deve ser estudado também. O cuidado é necessário, mas mais necessário ainda é o estudo destas novas formas musicais e, por que não, poeticas que se formam. A música traz novas formas de arte que por descuido e por medo não estudamos a fundo. O maior erro é tentar falar com autoridade sobre um assunto que ainda não se estudou.
ResponderExcluirHá tempo pra tudo, impossível não acompanhar o que acontece a nossa volta, reinventar coisas e dialogar sobre os rumos da nossa nova música com os próprios alunos.
Pois é Cissa!
ResponderExcluirAinda ontem eu e um amigo conversamos sobre isso. Lembramos do tempo em que o machiche era considerado um ritmo "depravado" por conta da sua dança de cintura bem colada. Deu no que deu, hoje todo mundo sabe da importância e da contribuição que o ritmo proporcionou, por exemplo, ao samba! Concordo contigo... Escrever de forma precipitada e sem pesquisa só pode dar nisso!
Abraços!