segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lá se vai embora mais um pouco do otimismo.


No sábado passado estava eu mais uma vez na praia do Cassino. Já tinha tocado na sexta no Bar do João (João 100 Gilberto) que fica bem na frente do Cine Dunas na avenida principal do balneário. Uma ótima casa, com um público atencioso e um excelente tratamento oferecido aos músicos que trabalham por lá, caracterizam o Bar do João, tanto no Cassino quanto na vizinha cidade de Pelotas. Bem diferente da falta de respeito, da precariedade de estruturas e da subtração dos cachês, realidade que com frequência os músicos riograndinos vivenciam em sua relação com a maioria dos donos de casas noturnas do Cassino e de Rio Grande.      

Pois bem, no sábado depois de montar a bateria e passar o som, um amigo que trabalhava como técnico de som na boate Bora Bora onde eu e mais dois amigos iríamos tocar, me convidou para tomar uma cerveja no tradicional Bar do Boliche. Como todos os preparativos estavam prontos, resolvi aceitar o convite, afinal, uma cerveja gelada cai muito bem no verão!

Entramos no Boliche e fomos logo atropelados pelo dono do estabelecimento, um tal de Castelhano. Inicialmente ele se dirigiu ao meu amigo de maneira grosseira, cobrando dele um favor que não teria sido realizado. Segundo meu amigo, o tal Castelhano, havia solicitado a ele um amplificador para ligar alguns equipamentos de som. Como ele estava trabalhando nesse dia, conseguiu levar o equipamento ao Boliche somente no dia seguinte. O atraso na prestação desse favor gerou uma das maiores demonstração de grosseria que eu presencie em toda a minha vida!

Não vou escrever aqui tudo o que o dono do Boliche falou ao meu amigo. O xingamento foi tenebroso! Extremamente revoltado o tal Castelhano mostrou que não tem o mínimo de educação e respeito pelas pessoas. Detalhe, o Bar estava com um bom número de clientes, que ouviram tudo e ficaram perplexos. Infelizmente acabou sobrando para mim! Depois que ele usou e abusou dos xingamentos, eu, completamente sem graça e envergonhado, baixei a cabeça e esbocei um sorriso, enquanto falava pelo canto da boca com meu amigo: “vamos embora daqui”. O Castelhano acabou verbalmente me atacando com um vocabulário chulo, bem parecido com o que foi proferido ao meu amigo. E isso que ele nem me conhecia.

Saí daquele lugar com uma sensação horrível. Acreditei até que teríamos que sair correndo para não apanhar do Castelhano. Depois de sair de lá, ficamos por uma meia hora sentados em silêncio, refletindo sobre o ocorrido. A todo o momento me perguntava qual aprendizado aquele fato deplorável poderia me proporcionar, pois nunca tinha me deparado com uma pessoa dessas. Com certeza nunca mais colocarei meus pés naquele lugar!

Enquanto escrevo esse post tenho uma incrível sensação de pena do Castelhano. Tudo aquilo que ele fez conosco me parece o reflexo de uma vida infeliz, de um indivíduo desequilibrado, mentalmente perturbado, frustrado, triste e que precisa de ajuda, talvez até mesmo profissional.

Está cada vez mais difícil de acreditar nas pessoas! Estou cada vez mais pessimista! Acho que as palavras certas para expressar o que tenho sentido a esse respeito são: tristeza e pesar! Se é que, toda essa anomia evidente nas relações básicas de convivências sociais pautadas pelo respeito ainda não tenham deturpado o verdadeiro significado dessas palavras. Quero acreditar que existe uma esperança!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Convite


Gostaria de convidar todos os amigos para comparecerem no lançamento da coletânea "A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória", que ocorrerá no dia 27 de janeiro, no Vestíbulo Nobre do Palácio Farroupilha às 19h, em conformidade com a programação do Fórum Social Mundial que ocorrerá em Porto Alegre.

Essa obra dividida em quatro volumes reúne mais de 30 artigos com depoimentos acerca de diversos aspectos da história da repressão e da resistência no Rio Grande do Sul durante o período da Ditadura Civil-Militar. Essa coletânea conta ainda com o prefácio de Luis Fernando Veríssimo e é amplamente ilustrada com fotos e documentos, bem como, com a biografia de mais de quarenta ativistas políticos gaúchos ou que tiveram sua história pessoal vinculada ao Rio Grande do Sul.

Oportunidade imperdível para aqueles que almejam novas perspectivas de pesquisa, bem como, uma forma, também, de manifestar uma posição sobre os últimos debates envolvendo o Plano Nacional de Direitos Humanos, a impunidade dos torturadores, a formação de uma Comissão de Verdade e Justiça e a persistente negativa de Abertura dos Arquivos.

Cabe ressaltar ainda que todos os presentes receberão gratuitamente os quatro volumes. A obra não será vendida! Portanto trata-se de uma oportunidade imperdível. Compareçam!



Rio Grande e o "progresso" econômico.


Depois de algum tempo sem postar vou retomando gradativamente as atividades do blog. Estive envolvido com a seleção de mestrado, portanto meu tempo andou bem curto.

A palavra de “ordem” em Rio Grande atualmente é “progresso”. Até combina! “Ordem e Progresso”. Muito se tem falado sobre o tão almejado “progresso”. As pessoas pensam no “progresso”, respiram o “progresso”, comem o “progresso”, dormem o “progresso”. Essa palavra frequentemente é acompanha por suas irmãs “Pólo Naval”, “Dique Seco” e “Plataforma de Petróleo”. Tal perspectiva, em parte alcançada, já demonstra algumas de suas inúmeras faces. Uma das mais evidentes está diretamente ligada ao setor imobiliário da cidade. As casas e apartamentos tiveram uma grande valorização de mercado para compra e venda. Os aluguéis acompanharam essa tendência sendo consideravelmente acrescidos, em vista, da média dos valores anteriores.


Pois bem, hoje pela manhã saí de casa com minha esposa para fazer algumas compras e pagar uma conta. Caminhávamos em direção ao centro da cidade, chovia bastante, quando resolvemos parar em um estabelecimento comercial e comprar alguns produtos. Infelizmente a loja já estava fechada e fomos impedidos de entrar por um dos atendentes. Fazia dois minutos que o estabelecimento tinha fechado as portas, ainda assim, o atendente preferiu nos deixar do lado de fora com toda a chuva que caia. Como se não bastasse, foi bastante sisudo e antipático ao dizer que o estabelecimento já havia fechado.

Saímos então em direção a outro estabelecimento comercial a fim de comprar os mesmos itens que tentamos comprar na loja anterior. Desta vez, o estabelecimento estava aberto, porém, para a nossa surpresa eles não aceitavam cartão de débito. Ficamos pensando: “Como não aceitam cartão?” Como pode em uma cidade que pretensiosamente se autodenomina “Cidade Turística” um estabelecimento comercial conceituado, que nem esse, não aceitar débito em conta? Será que os comerciários acreditam que os turistas viajam com dinheiro vivo em suas bagagens como se fazia em meados do século passado? Se tratando de Rio Grande isso é bem provável! Queríamos comprar e eles não queriam vender. Nossa sorte foi que a minha esposa tinha algum dinheiro na carteira e conseguimos efetuar a compra.

Continuamos nossa caminhada, a fim de cumprir nossos compromissos. Chegamos ao terceiro estabelecimento comercial da cidade. Já na entrada fomos incrivelmente mal atendidos pela atendente que exibia um crachá que dizia: “Em treinamento”. Imaginem só como será o atendimento dela depois que o treinamento chegar ao fim! Com extrema arrogância e má vontade, ela jogou um mostruário em cima do balcão e nem comentou nada. Fixada no computador, ela nem fitava em nossos olhos quando respondia algumas das poucas perguntas que fizemos a ela. Insatisfeitos com o atendimento, mas sem muitas opções, o comércio local não oferece muitas opções, acabamos adquirindo o produto e saímos do estabelecimento com uma sensação horrível. Parecia que a vendedora estava fazendo a contragosto um favor para nós.

Fomos então ao quarto estabelecimento e mais uma vez fomos mal atendidos por pedir desconto num pagamento feito à vista. A moça irritadíssima virou com força o monitor do computador para mostrar que o preço informado já estava com o pedido de desconto. Quando fomos concretizar a compra, a moça já bem mais calma, pois teve a capacidade de assimilar que foi grosseira conosco, saiu de trás do balcão e venho amistosamente conversar e explicar melhor como se dava o procedimento de pedidos de desconto. Como não somos rancorosos, tudo acabou com sorrisos de ambas as partes.

No caminho de volta para casa, algumas questões me vinham à cabeça. “Progresso” econômico não é sinônimo de “progresso” sócio-cultural, isso é óbvio! Óbvio? Então porque grande parte do legislativo local ainda não conseguiu perceber isso? Com freqüência eles confundem progresso econômico com o progresso sócio-cultural. Aliás, bem estar social e cultural, pelo menos em Rio Grande, não é sinônimo de “progresso”.

É necessário investir economicamente na cidade. Isso é fato! Rio Grande tem potencialidade geográfica para suportar tais empreendimentos. Claro que ainda falta muita infra-estrutura, principalmente nas rodovias locais, que deverão receber muito investimento financeiro para suportar o fluxo de veículos. Porém, acredito que o advento do “progresso” tornou evidente e urgente a elaboração de um planejamento sócio-cultural que compreenda os diversos setores da sociedade riograndina, ou seja, aliar o progresso econômico ao progresso sócio-cultural, para tanto, os exemplos do péssimo atendimento anteriormente mencionados elucidam que é preciso mais do que nunca investir também nas pessoas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sobre o 4° MUSIURG



O texto abaixo me foi enviado por e-mail pela produtora da FURG - FM, Andrea Santorum.

Os interessados em participar do 4º Festival Universitário de Música do Rio Grande (MUSIURG) deverão realizar as inscrições de 30 de dezembro a 20 de janeiro. Poderão participar quaisquer músicos pertencentes ou não à Universidade Federal do Rio Grande (FURG), além de profissionais ou amadores atuantes na área. A 4ª edição do MUSIURG ocorrerá de 5 a 7 de fevereiro, na Feira do Livro da FURG, no balneário Cassino.

Cada canção deverá ter uma ficha de inscrição própria, disponível no site contendo gravação em mídia CD-R no formato, CD áudio ou mp3, com o título da canção e nomes dos autores. Cada música inscrita não deverá ultrapassar ao tempo de sete minutos. A ficha de inscrição e CD-R deverão ser enviados até o dia 20 de janeiro de 2010 pelo correio ou no protocolo da FURG, Campus Carreiros ou Campus Cidade. Os contatos podem ser feitos no Núcleo Artístico Cultural pelos telefones 3233-6831/3233-6931, nac@furg.br, endereço avenida Itália km 8, Centro de Convivência. CEP: 96201-900.

O MUSIURG é uma iniciativa do Núcleo Artístico-Cultural da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc) da FURG, e tem por objetivos incentivar o surgimento de novos talentos, estimulando a criação musical e valorizando a produção musical local e regional; proporcionar à comunidade através da arte musical um espaço de reflexão e ampliação dos conhecimentos; propiciar momentos de entretenimento, lazer e cultura, contribuindo para a integração e diálogo entre as comunidades; contribuir para a formação profissional e intelectual, desenvolvendo a sensibilidade através da música; fortalecer as iniciativas das produções musicais e possibilitar a participação das pessoas num ambiente social saudável.

De acordo com os integrantes do Núcleo Artístico-Cultural, a cultura sempre foi uma preocupação da Universidade na relação com a comunidade na qual está inserida. “O MUSIURG já foi considerado um dos maiores eventos do município e da Região Sul do Rio Grande do Sul, atraindo não só participantes locais como do Estado, representando um importante momento dessa relação, além de valorizar a produção musical da região, oportunizando aos músicos e compositores uma mostra das suas potencialidades criativas”, salientaram os organizadores. Além disso, todos os participantes classificados para a etapa final terão participação na gravação do DVD MUSIURG.

A premiação é a seguinte: 1° lugar gênero gaúcho: R$ 2.000,00 e certificado; 2° lugar gênero gaúcho: R$ 1.000,00 e certificado; 3° lugar gênero gaúcho: R$ 500,00 e certificado. 1° lugar gênero MPB: R$ 2.000,00 e certificado; 2° lugar gênero MPB: R$ 1.000,00 e certificado; 3° lugar gênero MPB: R$ 500,00 e certificado.

Para facilitar a vida dos músicos e compositores que pretendem inscrever suas canções, as fichas de inscrição podem ser baixadas diretamente do site da FURG.

Apesar de não ser tão abrangente quanto o Festival Seiva da Terra, anualmente realizado na Feira de Artesanato de Rio Grande (FEARG), a iniciativa do Núcleo Artístico e Cultural (NAC) da FURG é louvável. Se o projeto não “morrer na casca” provavelmente seremos agraciados com um festival de música por semestre em Rio Grande. Dois festivais por ano! Isso é bom e ruim ao mesmo tempo! Porém, comprova que a principal manifestação cultural da cidade está relacionada diretamente às atividades musicais. Não tenho certeza, porém creio que também acontece na cidade uma das etapas do Festival de Música do SESI. Três festivais por ano. É mole ou quer mais? Haja espaço pra toda essa gente!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A mão e as marcas da censura brasileira.



A censura em nosso país foi oficializada durante a República Velha e desde então sua aplicabilidade se mostrou extremamente abrangente, compreendendo o teatro, o cinema, a imprensa, a música, entre outras atividades.

Durante a Ditadura Civil-Militar, a censura foi utilizada como meio de legitimação do poder dos militares, ou seja, censurava-se com o pretexto de proteger a população de “ideologias subversivas da ordem pública e social [comunismo]” e em defesa da “moral e dos bons costumes”, através de um aparato legal instituído. Porém, distante dos arquivos e das pesquisas em torno da censura, a população brasileira, em geral, tem uma idéia um tanto etérea de sua existência e aplicação, pelo desconhecimento que causa o estranhamento, ou até mesmo porque nunca foi submetida à ela.

Tenho conversado bastante com pessoas que viveram o período de repressão e censura durante a Ditadura. Grande parte delas – ao menos as que não faziam parte, na época, de nenhuma atividade cultural – desconhece ou possuem inúmeras dúvidas referentes à censura, bem como, que tenha ocorrido da forma na qual eu tenho exposto a elas. O que mais escuto dos meus “entrevistados” é: “Verdade guri! Mas eu nunca vi isso...”, ou então, “Eu nunca vi nada disso, não lembro que isso tenha acontecido...”. Realmente o brasileiro tem um sério problema com a memória! De quatro em quatro anos esquece até em quem votou, imagina se vão lembrar de fatos que ocorreram há vinte, trinta ou quarenta anos atrás.

Pensando nessa falha de memória do brasileiro, aproveito o ensejo e remonto ao ano de 1982 (final do período ditatorial), com uma imagem que embora desconfortável para mim, é uma prova inegável da ação dos censores da Divisão de Censura de Diversões Públicas (D. C. D. P.), órgão que auxiliava o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) na vigilância aos artistas brasileiros durante os tempos de intenso cerceamento das liberdades sócio-culturais. Nas imagens à baixo, é possível contemplar a mão e as marcas deixadas pelos censores sobre as atividades musicais em nosso país.

Antes de comentar sobre o LP, gostaria de falar um pouco sobre a ficha técnica do mesmo, afinal, nada disso existiria se não fosse pelo trabalho coletivo dessas pessoas. Evandro Mesquita (Voz, Vocal, Ovation, Gaita); Ricardo Barreto (Vocal, Guitarra, Violão); Antonio Pedro Fortuna (Vocal, Contrabaixo, Gongo); Wiliam Forghieri (Vocal, Teclados e Marimba); Márcia Bulcão (Vocal); Fernanda Abreu (Vocal); João Luiz Woerdenbag (Bateria). Os arranjos musicais são assinados pela BLITZ, e ao que tudo indica, o álbum foi gravado pelos próprios músicos da banda. A EMI-ODEON assina a produção fonográfica, acompanhada de Mariozinho Rocha (Direção de Produção); Amaro Moço, Franklin Garrido, Carlinhos e Sergio Bittencourt (Técnicos de Gravação).

Na capa do LP da Banda BLITZ, no canto superior esquerdo, é possível ler a seguinte mensagem: “Impróprio para menores de 18 anos”. Logo em seguida, um pouco a baixo, a mensagem é a seguinte: “Aprovado pelo código de ética”. Na parte de baixo da capa, em letras bem menores está escrito: “As músicas faixa 5 do lado B Ela quer morar comigo na lua e a faixa 6 do lado B “Cruel, cruel esquizofrênico blues estão interditadas para execução pública”. Na contra capa, outra mensagem salta aos olhos: “ATENÇÃO: Por terem sido vetadas pela censura (D. C. D. P.) as duas últimas faixas do lado B foram intencionalmente inutilizadas”. Além disso, essas duas faixas estão sublinhadas em vermelho, coincidência ou não, sabemos bem o que representa simbolicamente a cor vermelha, ainda mais naquela época.

Esse é um dos poucos casos, no âmbito musical, onde a atuação dos burocratas responsável pela censura prévia foi exposta de modo explícito aos brasileiros. Como sabemos, toda e qualquer composição inédita deveria passar pelo crivo dos censores antes de circular pelos meios de comunicação (mercado fonográfico, rádio e televisão). Se o parecer desses censores não fosse favorável à canção, essa teria vetada sua circulação. Na grande maioria das vezes somente os censores, os músicos, compositores e as produtoras ficavam sabendo disso, pois eram eles os principais envolvidos nessas petições.

Portanto, o LP “As aventuras da BLITZ” de 1982 é uma mostra fidedigna da ação e das marcas da censura brasileira. Longe dos arquivos e documentos acerca da censura esse LP é uma ferramenta funcional, pois, além de comprovar tais arbitrariedades, contribui para que não esqueçamos as barbaridades cometidas por grande parte dos militares que eram amparados por largas parcelas da sociedade civil brasileira.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Festival MUSIURG


Vinte e dois anos depois daquela que foi sua última edição em 1988, os Festivais Universitários de Música da cidade do Rio Grande (MUSIURG), serão novamente realizados. Desta vez, ao que tudo indica, de uma maneira mais modesta, longe do “glamour” que tiveram esses festivais durante a década de 1980, já que as apresentações musicais estarão agregadas a Feira do Livro que acontece anualmente na Praça Didio Duhá no balneário da praia do Cassino em janeiro de 2010.


Surgidos durante os anos 1980 (1984, 1985 e 1988), agregados aos festejos alusivos ao aniversário de 15 anos da FURG, os MUSIURG movimentaram a cena musical da cidade e da região, chegando a atrair músicos de outros Estados como Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, ambos inscreveram centenas de canções que compreendiam dois gêneros musicais, o regionalista gaúcho e o popular.


Nas duas primeiras edições milhares de pessoas se aglomeraram nas dependências do ginásio do Ipiranga Atlético Clube (IAC), movimentação que de certa forma já era esperada pela comissão que organizou esses eventos, tendo em vista a não realização de festivais de música na cidade desde 1976. Em 1988, em sua terceira edição, o MUSIURG ocorreu na Sociedade Amigos do Cassino (SAC) e não alcançou tamanha repercussão quanto à dos seus antecessores. Tendo em vista os custos elevados para a realização desses eventos, a organização dos MUSIURG optou em não dar continuidade aos festivais.


Ainda não disponho de muitas informações acerca da 4° edição do MUSIURG. Mas ao que tudo indica, o formato continuará o mesmo. Serão três dias de música regionalista gaúcha e popular brasileira. Bem mais abrangente tem sido o Festival Seiva da Terra, que acontece anualmente durante a Feira de Artesanato de Rio Grande (FEARG), abrangendo outros gêneros como o Pop, o Rock, o Reggae, o Soul, entre outros.


Aguardamos!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Crítica Musical [1]


Depois de algum tempo sem postar, pois estou na função das leituras para seleção do mestrado, vou tentando gradativamente retomar as atividades com um assunto no qual tenho bastante interesse.

Estou cada vez mais admirado ao ler os artigos e ouvir as reportagens de grande parte da crítica musical especializada (sem generalizar), que ingenuamente (ou propositalmente) rasga elogios aos álbuns de determinadas bandas do cenário nacional. Fato é que, normalmente essas bandas contratam os chamados “músicos de estúdio” (profissionais especializados em gravações e com excelente nível técnico) para executarem o trabalho de gravação de suas músicas. É como se um pintor famoso pagasse para que outro pintor (tecnicamente mais competente) realizasse os ajustes finais em sua tela. Ou ainda melhor, é como se esse pintor famoso fizesse apenas os rabiscos na tela e deixasse todo o restante do trabalho para o pintor contratado. A banda Titãs, por exemplo, utilizou os serviços desses músicos durante toda a sua trajetória. Somente agora no último álbum (Sacos Plásticos) foi que os Titãs entraram no estúdio e realmente gravaram suas composições. Em entrevista a uma emissora de televisão o cantor e instrumentista Paulo Miklos afirmou que o álbum Sacos Plásticos foi o primeiro integralmente gravado pela banda. Ironizando essa situação, Miklos ainda tentou descontrair com a seguinte afirmação: “nós sempre fomos muito ruins”.

Não quero entrar no mérito daquilo que é bom ou ruim enquanto manifestação artística e cultural. Gosto e ouço os Titãs e reconheço a importância da Banda no cenário musical brasileiro e latino-americano. Desejo apenas destacar que muitas vezes a crítica musical se excede em alguns aspectos que, na minha humilde opinião, são de extrema relevância.

É certo que ao contratar um músico para realizar a gravação de seu álbum, uma banda ou um artista assume a responsabilidade pelas possíveis críticas (construtivas e destrutivas) que por ventura o trabalho possa sofrer. Cabe lembrar ainda que o trabalho passa também pela mão de um produtor musical que emite seu parecer imperativo em cada uma das faixas musicais que compõem o álbum. Esse “mecenato” tem se mostrado necessário na medida em que inúmeras bandas e artistas que compõem o mercado cultural brasileiro se mostram cada vez mais dominados pela indústria cultural.

Tenho me perguntado com frequência: afinal, de quem é o trabalho? Da banda? De um determinado artista? Ou dos produtores e músicos de estúdio?

Certos críticos da nossa música vêm excluindo a atividade desses músicos de estúdio e perigosamente escrevendo sobre a história da música brasileira de modo equivocado. É o velho jogo da memória, no qual alguns são excluídos para que outros possam ser lembrados como figuras imponentes, mitos, lendas, referências ou coisas do gênero, sem nem mesmo, na grande maioria das vezes, terem o mínimo de competência para tanto.

Há alguns anos atrás a lógica da exclusão e da construção de mitos ou lendas da música brasileira poderia ser facilmente justificada, uma vez que, na época do long play, a crítica musical parecia trabalhar somente em prol do mercado fonográfico na lógica da vendagem de discos a curto, médio e longo prazo. Bandas ou artistas de sucesso que fossem bem lembrados pelo público, venderiam muitos discos, mesmo depois de encerrarem suas atividades. Isso sem mencionar a influencia desses artistas no vestuário das pessoas. Como sabemos, artistas consagrados sempre ditaram inúmeras tendências no vestuário de jovens e adultos.

Em fim, (sempre acabo me estendendo muito) acredito que hoje em dia, como há algumas décadas atrás, os críticos da nossa música continuam a sonegar, fazendo vista grossa, ao que realmente é concreto e inegavelmente constrói a sonoridade brasileira, logo, os milhares de músicos instrumentistas periféricos (anônimos ao grande público) que continuam "encaixotados", porém, espalhados por todo o nosso país, ainda que, muitos deles nunca sejam lembrados pela crítica musical. Particularmente, chamaria os críticos musicais contemporâneos de “tendenciosos entusiastas culturais”.